
Mobilização coletiva fortalece construção da Escolinha Jeguaka’i no Tekoha Yvu Vera II
Nos dias 28 de fevereiro e 1º de março, uma grande ação comunitária foi realizada no Tekoha Yvu Vera II para dar continuidade e finalizar a construção da Escolinha Jeguaka’i. A ação reuniu moradores, lideranças, artistas e agentes culturais em um esforço coletivo que integrou educação, cultura e fortalecimento territorial.
Conduzida pelas agentes territoriais de cultura Jade Ribeiro e Miguela Peralta Moura, a iniciativa reforça a importância dos saberes tradicionais, da memória coletiva e do cuidado com o futuro das crianças da comunidade. A construção da escola, erguida com participação direta dos moradores, simboliza mais do que um espaço físico: representa autonomia, resistência e valorização cultural.
A programação dos dois dias articulou diferentes frentes de atuação no território. Entre as atividades previstas estão:
Rodas de conversa sobre políticas públicas culturais no território indígena;
Oficinas de troca de saberes tradicionais;
Feira de valorização das produções locais e das economias próprias;
Mutirão para corte de bambu, material que será utilizado na estrutura da escola.
O mutirão reforça a prática tradicional do trabalho coletivo, mobilizando homens, mulheres e jovens em torno de um objetivo comum. A utilização do bambu na construção também evidencia o respeito aos recursos naturais e às técnicas construtivas próprias da comunidade.
Mapeamento de artistas indígenas fortalece acesso a políticas públicas
Durante os dois dias de mobilização, o Comitê de Cultura realizou ainda o mapeamento e a mobilização dos artistas indígenas do território. A ação estratégica busca reconhecer talentos locais, fortalecer a produção cultural e ampliar o acesso às políticas públicas e às oportunidades de fomento.
O levantamento permitirá identificar mestres de saberes, artesãos, músicos, pintores, rezadores e demais expressões culturais presentes na comunidade, contribuindo para a construção de políticas mais alinhadas à realidade do território.
Educação, cultura e resistência
A construção da Escolinha Jeguaka’i reafirma o compromisso coletivo com a educação das crianças e com a preservação da identidade cultural. O espaço será destinado não apenas ao ensino formal, mas também à transmissão de saberes ancestrais, práticas tradicionais e valores comunitários.
“Retomar é existir. É ensinar, aprender, partilhar e cuidar coletivamente.”
A ação no Tekoha Yvu Vera II demonstra que, quando a comunidade se organiza, o território se fortalece e a cultura segue viva — ensinando, resistindo e construindo futuros.