Comitê de Cultura do MS realiza escuta comunitária na Aldeia Indígena Pirakuá Morro e destaca demandas locais por educação e preservação de saberes tradicionais
A comunidade Aldeia Indígena Pirakuá Morro recebeu, no dia 1º de novembro de 2025, uma ação de escuta e diálogo promovida pelo Comitê de Cultura do Estado de Mato Grosso do Sul. A atividade foi conduzida pela agente cultural Miguela Peralta Moura, que representou o Comitê durante a reunião com lideranças, moradores e representantes de diferentes faixas etárias da aldeia — jovens, adultos, crianças e adolescentes.









O encontro teve como objetivo identificar demandas prioritárias para o desenvolvimento de ações culturais, sociais e estruturais voltadas ao fortalecimento da comunidade e à construção de políticas públicas alinhadas às necessidades locais.
Entre os principais pontos levantados, o cacique Gerson destacou a urgência na criação de uma escola indígena na comunidade. Segundo ele, professores formados, naturais da própria aldeia, têm sido obrigados a buscar oportunidades em outras localidades devido à falta de estrutura para exercerem a profissão no próprio território.
“São pessoas que saíram daqui, conseguiram entrar na universidade, se formaram, e aí muitos tiveram que ir pra outras aldeias pra poder trabalhar, pra não ficar parados. Temos alunos, e falta a estrutura pra poder iniciar.”
A demanda por uma instituição de ensino própria é vista como fundamental para garantir a permanência dos jovens na comunidade, fortalecer a identidade cultural e ampliar o acesso à educação de forma contextualizada às tradições e saberes indígenas.
Preservação dos Saberes Tradicionais
A escuta também deu espaço para relatos emocionados de membros mais antigos da aldeia, como Dona Mari Canteiro, de 76 anos. A anciã chegou ao encontro montada a cavalo — hábito que mantém mesmo com a idade avançada — e reforçou a importância da transmissão de conhecimento às novas gerações.
Ela manifestou o desejo de ensinar os jovens a confeccionar redes artesanais, tradição que marcou sua trajetória e que ela teme ver enfraquecida com o tempo.
“Eu quero ensinar, porque eu sou muito idosa, e deixar o povo, as crianças, as gurias pra ficar no meu lugar. É assim que eu penso: para fazerem as redes de novo, porque eu já trabalhei muito com isso.”
Os tópicos levantados durante a ação serão reunidos pelo Comitê de Cultura para subsidiar futuras propostas e articulações junto às demais instâncias públicas. A atividade reforça o compromisso do Estado em dialogar diretamente com as comunidades, considerando suas necessidades, perspectivas e formas próprias de organização.
A presença ativa de moradores de todas as idades demonstrou a força coletiva da Aldeia Indígena Pirakuá Morro na construção de caminhos para seu desenvolvimento, valorizando tanto as demandas estruturais, como a criação da escola, quanto a preservação dos seus saberes ancestrais.